terça-feira, 18 de agosto de 2009


Era tudo igual, toda vez.
Nada mudava, embora ela quissesse acreditar no contrário.

Mas as vozes que compunham
essa sinfonia triste e
agoniante de todos os dias
eram as mesmas.

Sempre do mesmo jeito.
Nada mudava, e tudo conseguia ficar pior.

Mas a pergunta nao calava naquele quarto escuro:
como esquecer tudo isso?

sábado, 15 de agosto de 2009

O jardim de cimento

Naquela calçada, havia sempre o mato crescendo, as plantas surgindo.
E um Seu Antônio sempre a cortar, aparar e cuidar de todo tipo de coisa que ali crescia.
Passei minha infância e adolescência vendo a rotina daquela calçada, que de tempo em tempos se enchia de verde, e logo depois era cuidadosamente aparada tornando-se de novo um singelo jardim.
Acostumei-me a cumprimentar Seu Antônio, sempre muito vermelho e suado a cortar os matinhos que teimavam em crescer mais rápido do que se esperava. Ele por sua vez, também se acostumou a me cumprimentar..desde quando minhas roupas eram basicamente um uniforme verde e branco do colégio.


Hoje eu caminhava na rua, quando passei numa calçada. Toda de cimento. E enquanto eu pisava, percebia que estava pisando no jardim do Seu Antônio. Aquele jardim que ele cuidava com tanto carinho e alegria desde que eu frequentava o jardim de infância. Jardim esse, que não importava o sol ou o frio que fizesse, lá estava ele, deixando-o impecável. Apesar de ser pequeno, o jardim dava trabalho suficiente para um dia inteiro, o que faria muitas pessoas simplesmente acabarem com ele, ou deixá-lo ao relento, crescendo desordenadamente.
Mas Seu Antônio gostava de cuidar do jardim.
E hoje não havia mais nada.

Seu Antônio morreu há mais de 1 ano... e apesar de tanto tempo ter se passado desde então... enquanto a calçada permanecia cheia de matinhos não cortados, cada vez mais altos pela falta de alguém que os cortasse, eu não me surpreendia tanto.
Mas pisar no jardim feito de cimento, me fez perceber, que tudo tinha ido embora.. Seu Antônio e o jardim.

domingo, 9 de agosto de 2009

Pensei..
em dizer o quanto o tempo pode deixar de ser amigo
e nos fazer prisioneiro.

Pensei no amor, na dor, nas flores..

Pensei em palavras, gestos, vozes...

Mas, acontece ( como já aconteceu com milhares de escritores, poetas, enfim, com qualquer um) de haver tanto, mas tanto sentimento dentro de mim, que ele transborda pelos meus dedos mais rápidos do que eles podem pensar em agir.
E assim, qualquer frase escrita , não iria satisfazer , o desejo incontrolável de escrever.
Assim, me perco em paradoxo.
Me vejo presa na ironia da falta de palavras pelo excesso de necessidade delas.

Vejo tantas coisas que passaria dias aqui escrevendo .., mas mais uma vez..as palavras não seriam suficientes..

sábado, 8 de agosto de 2009

Gostaria de escrever algo bom o suficiente...

Sei que esse é um sentimento, e ele aparentemente não passa.
Mas eu o digo: aceite-o. E deixe-o passar.
Desafie a morte, o vazio.
E esse sentimento, esse vazio que insiste em tomar conta, faça dele o objetivo,
o foco, o sentido.Faça deles a vontade, de querer não tê-los. Para fazer e viver cada vez mais. E assim, sentir mais.

É verdade, eu sei que é difícil.

Mas tentar todo dia sentir algo novo, para que o vazio de hoje nao seja o mesmo de amanhã.. pode também ser um ato de coragem. Ou de amor.
Coragem essa que fingimos e tentamos ter, para saber como é o futuro, para saber como é o no final. Amor esse que nos carrega por essa estrada.