domingo, 7 de dezembro de 2008

Ele olhava a vitrine da loja, ali dentor haiva um mundo mágico, que ele olhava de fora, na calçada da rua enfeitada preparada para a chegada do(s clientes) natal.
Gostava de carrinhos e estradas. Havia um monte delas na loja. Uma delas com um lindo trenzinho de madeira que rodopiava repetidamente em círculos prá lá e pra cá.
Achou muito legal, e pensou em como queria tê-lo para poder brincar de maquinista, e controlar aquela máquina tão grande e bonita pelas estradinhas de ferro que ele mesmo iria montar.
Pensou em como seu quarto iria ficar divertido com um novo brinquedo, e em como poderia brincar com ele muitas e muitas vezes, de vários jeitos.
Olhou de novo para o trenzinho de madeira, e inocentemente pensou de onde vinham os trenzinhos de madeira. Só conseguiu pensar nas árvores. Mas quantas árvores existiam no mundo? O suficente para muitos e muitos trenzinhos de madeira? E quando elas acabassem? Pensou no quanto gostava das árvores do parque, e como era bom brincar entre elas..descansar encostado nelas.
Chegou à conclusão que gostava das árvores que conhecia. E que não queria que eles virassem trenzinhos, por mais que gostasse muito de trenzinhos também.
Começou a sentir pena das árvores. Mas também já sentia saudades do trenzinho, o qual ainda não era seu, mas parecia mais e mais distante de sê-lo.
Não sabia o que fazer. Queria o trem, a árvore, e que pra isso um não deixasse de existir por causa do outro.
Mas não era possível. Ficou confuso. Meio triste.

Começou a perceber que as coisas na vida, mesmo parecendo bonitas e boas, até mesmo inofensivas, podem trazer coisas ruins também. E que mesmo que não saibamos disso, é verdade.
E notou que mesmo gostando de trenzinhos e de brincar com eles, gostava mais das árvores, e por isso, ter os dois poderia ser demais para si mesmo. Teria muitas coisas boas e ruins juntas, então preferiu ter algumas, só boas, junto consigo.

Mesmo sentindo saudades do trenzinho que não ganhou, cada vez que pensava na árvore que não havia se tornado um brinquedo, ficava feliz. Pois havia escolhido o que era mais importante para si.

Um comentário:

Anônimo disse...

Trade-Off realmente existe....

Fernando